UMA PONTE NA PRAIA

De Onde fingimos dormir como nos campismos, inédito 

 

Joelho de pedra de duna
açúcar de bola transpiração
entradas eufóricas as cartas 
como balizas grandes na praia 

As melhores blusas e as maneiras
de entoar músicas antigas
outros verões outras areias
montagens no sacrifício  

Entoar quando pedimos
nomes de constelações
bocados de terra favorável
poderemos ali sentar?  

Se fosse assim tinha um sentido
e esbatia o vivo disto
o macio só fica como uma folha
no abordar do joelho mais ligeiro

A terra do meu regresso

De Onde Fingimos Dormir como nos Campismos (inédito)

A terra do meu regresso
fibra fundo esta espécie de retrato
calando rijo na claridade
mas só te vejo quando vou lá ver   

Na terra do meu regresso
é aqui quando cá estavas e as pedras mornas
essa forma da estrela morta
menos terra chegando 

Pergunto se era ali
merecer a entrega
à volta do uso
e terra mais cheia

Convergências

De Onde Fingimos Dormir como nos Campismos, Inédito

Se quando o oceano aqui chega
faz contigo riscos novos nas pedras
e torta uma linha de sal
que corrige de longe a vista 

Faz do lugar um lugar lavado
que nem no ano seguinte já dura 

E à tarde o sol a forma do pé os cabelos
tanta coisa doutro tempo aí de repente
a tristeza vai próxima e separa
na cor de pavilhões  

Passa a tua mão abrigada
falo de cheiros luzes espalhadas
digo que arranjas com ferros o mar

Fibra do anjo

De Onde fingimos dormir como nos campismos, inédito 

 

Disse assim
seria bom cantar
junto
sair do luto 

Aterrar na emoção esta
que faz tanta companhia
e amansa a dor de pernas
gostar tanto do corpo de quem é 

Eu gramava assim a canção enviesada
possivelmente o retrato
figuras
de um ponto a este do mar 

Rebentando vai temporada
um cheiro que faça família
e no alto envio do entusiasmo
tudo cale a mel  

Cantarmos nas fibras
e usar isso e continuar
e usar isso no peso da fibra
o corpo frouxo e continuar

Jeito fero
asa dura
responder na habilidade
da duração