Adiantamento - Suceder


1

Agora trancado em casa 

De mãos 

Bem lavadas Você

Poderá tocar os contornos 

Da apatia no teu rosto



2

Para vestir corretamente a 

Máscara Você

Deverá permanecer em estado

De pluma

Lembra-te urgente 

De teu estado

De pluma atrás Você

Das outras máscaras Você

Um espelho salpicado



3

Pensas 

Quem? 

Pensa quem ninguém irá estercar a larga

Jardineira das prerrogativas Você

Isso Você aquilo

Diriam

Isso é

Tudo pensa

Diriam?

Quem? Uma

Maldade de pássaros desinfetados? 

Vo Cê



4

Talvez a febre talvez o

Silêncio seja a granja suscetível talvez

O latido na rua seja 

Um grito de prazer talvez 

Você

A honestidade de um raio de

Sol acelerando a poeira

Na

Folha do

Antúrio talvez a

Véspera seja a pena a

Poeira a

Debilidade é ganhar

Votos 

A véspera é

A pena 



5

Agora Você trancado em 

Casa 

De mãos bem lavadas

Você 

Tu 

Umas plumas 

De ti

Tocando convívio 

Com outras de

Ti

 

6

A sombra da mobília entrega

Maquetes  

Das garantias da cidade 

Você

Esteja você à cintilação das tuas

Fianças



7

A sorte assim

Passada feito

Filme que passa à tela

Da morte

Você

Uma ereção à sorte alguma

Suave neurose nenhuma

Febre à sorte 

40 graus medidos 

Mesma 

Sorte



8

Apaziguamento então passa

A ser

Nuvem drástica nuvem

Presencial extremada apaixonada

Distante carecida de

Reformas carecida

De 

Higiene Você se

Entrega 



9

Pensa

Ainda pensas

Sobre as

Prerrogativas nas jardineiras pensa

Quem um sorriso de

Vergonha um gesto anônimo

Uma semente ocasional as tintas do 

Que pensas

Você



10

Suceder então

De mãos bem lavadas como 

Um 

Paciente trancado da cura dos outros sucede aos 

Pulmões rebuscados 

Sucede 

Que 

Ainda a jardineira esteja talvez

Você a

Ereção talvez a véspera 

Seja talvez 

Suceder 

sete setas enquanto você fala


1

o sino da paróquia São João Batista

assusta as moscas na banana

as moscas deixam a banana sem

deixar a atmosfera da fruta

o sino cala as moscas voltam

politicamente magoadas




2

o gato um mamão as patas

o motor dos gatos os gatos suas patas

minha boca incha

golpeio o mamão com a cabeça de

um

dos gatos

volto a contar os gatos suas vidas suas patas



3

aquele pombo no teto da paróquia

São João Batista manca pela

secular linguagem em ser desacreditado aquele pombo no teto



4

pesa no sono a

cabeça da

barata pesa o sono

junto da agonia são tantos os joelhos da

barata

pesam as asas e eu não posso me cansar

pesam a volta o limite minha cabeça doem

meus joelhos



5

passa um menino que vem

da

cerimônia de sua primeira comunhão na

paróquia São João Batista

passa um lobinho branco com vinho e

pactos até

as orelhas



6

penso se a aranha quase

invisível sabe a liberdade porque se sabe

não parece saber tudo e perde uma das

pernas apesar de saber pouco e nem se afasta e

nem morre apesar da perna

a menos penso quase

invisível apesar de você se uma

perna a mais faz menos barulho nos tacos do

corredor



7

os sinos calam

lenta

a mosca volta


décima primeira festa do chopp de são bernardo do campo

       Não, o tempo não chegou de completa justiça.

                                                                                                 O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

                                 O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

Carlos Drummond de Andrade


escrevo sentada numa cadeira dura

escrevo para não estar aqui

os gatos desfiam meu vestido

tenho pimenta e sal nos olhos

a mesa

onde o computador

alguns livros remédios meu dedal da sorte

e

uma caneca da décima primeira

festa do chopp de são bernardo com

uma régua canetas e um pincel

tenho aqui duas gavetas pequenas

na primeira guardo receitas médicas

mais remédios umas moedas grampos de

cabelo e um calendário

russo que carolina me deu

na segunda gaveta guardo nada

tenho gelo e agulhas nos olhos

escrevo para não estar no tempo do meu país

não fui à festa do choop porque

no mesmo ano

numa maternidade bem próxima dali

alguém resolveu que

para a minha vez no mundo

mamãe seria um corte

escrevo sentada numa cadeira assombrada

assombrada pela

décima primeira festa do choop no país das marionetes