poema para o meu irmão triste

que a tristeza te seja breve afugenta
essa ave crocitante voando em redor da tua cabeça e coração
eclipsa esses quartos crescentes enegrecendo os olhos

não que não tenhas direito a esse desalento
a esse lento andamento que te ritma a descrença
no mundo sentido esvaziado do sentido
que diariamente desde a infância lhe dotaste

o que era leve e aéreo tornou-se plúmbeo e ferruginoso
e os pés constantemente enterrados em lama
fazem-te pesar a máquina das pernas

és um sísifo vês-te caminhar no horizonte
montanha e pedra são porém o teu humor

mas previne-te que se instale o inverno
ou que os corpos se enraízem na sua distância
e que essa infâmia morando na tua garganta
ferrando as suas garras não seja projectada
ao rosto de quem a ti te é mais próximo