Felino de Ocre 

                                                    A Théodore Gericault 

 

Cobre-te todo o negro da noite. 
Da luz da tua esperança resta-te
uma pincelada no vidro dos olhos.
Uma chama ao longe na vila
avisa-te do festim que não  
foste convidada Leoa Ocre. 

O Cheiro a carne assada em
espetos trouxeram-te até aqui. 
À tua frente um barulho festivo
e uma savana engolida por estrelas
que pontuam as tuas lágrimas. 

Brilha esse teu olho rodeado
de carvão negro
Um desejo de ser mulher. 

Quem são esses seres que ao
longe festejam a morte de teus
filhos? Dos seus belos corpos vejo
apenas as suas peles esvoaçando  
com o vento. 

Leoa Ocre engolida pela noite
ocultas a tua dor mas a tua
doçura ainda não foi roubada. 

Vítor Teves