«Fragmento Mítico», Louise Glück

Tradução: Nuno Quintas

 

 

Quando o firme deus
se abeirou de mim com a sua oferenda
o meu temor encantou-o
tanto que correu mais depressa
pela relva húmida, enquanto insistia,
para me louvar. Vi o cativeiro
no louvor; de encontro à lira,
implorei ao meu pai no mar
que me salvasse. Quando
o deus chegou, eu estava em parte nenhuma,
estava eterna numa árvore. Leitor,
tende piedade de Apolo: na margem da água,
virei-lhe costas, invoquei
o meu pai invisível — enquanto
me endurecia nos braços do deus,
do seu amplo amor
o meu pai mais
nenhum sinal fez da água.

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