Dois poemas de Antonio Delfini

Tradução: João Coles


Não te conheço
nem vou querer saber quem és
somente um candeeiro
nos dirá
do nosso encontro
um candeeiro que se apagará
um candeeiro que não dará mais luz
um candeeiro que um dia
não nos dirá
mais nada
esquecido
o nosso encontro.


Caluda caluda
que vem aí o poeta
deixemo-lo passar
falem baixo meninas
abram as janelas
com suavidade
Numa cidade
de trinta mil habitantes
em mil novecentos e trinta e dois
ainda há gente
que espera que o poeta
passe
com o seu passo mortiço
Esperam que ele passe
não por respeito
mas porque é tão curioso
ver um poeta
com um casaquinho
apertadinho apertadinho
Mesmo as raparigas
mais modernas
esquecem por um minuto
o alfa romeo...
para ver o poeta
e rir
rir tanto
daquele seu casaquinho
coitadinho
tão pequenino.

In Poesie della fine del mondo, Einaudi


Non ti conosco
non vorrò sapere chi sei
soltanto un lume
ci dirà
il nostro incontro
un lume che si spegnerà
un lume che non farà più luce
un lume che un giorno
non ci dirà
più niente
dimenticato
il nostro incontro.

Zitti zitti
che c’è il poeta
lasciamolo passare
fate piano ragazze
aprite le finestre
con dolcezza
In una città
di trentamila abitanti
nel millenovecentotrentadue
c’è ancora della gente
che aspetta il poeta
passare
col suo passo smorzato
Lo aspettano passare
non per rispetto
ma perché tanto curioso
vedere un poeta
col giacchetto
stretto stretto
Anche le ragazze
più avanzate
scordano per un minuto
l’alfa romeo…
per vedere il poeta
e ridere
ridere tanto
su quel suo giacchettino
poverino
tanto piccolino.

In Poesie della fine del mondo, Einaudi

Fragmentos de "Quase um testamento", de Pier Paolo Pasolini

Foto do manifesto pelos dez anos da morte de PPP - Mario Schifano, "Pier Paolo Pasolini, una vita futura", técnica mista, Roma 1985.

Foto do manifesto pelos dez anos da morte de PPP - Mario Schifano, "Pier Paolo Pasolini, una vita futura", técnica mista, Roma 1985.

Tradução: João Coles

TEATRO E CINEMA

Há (e haverá sempre) biltres que fazem cinema e teatro comercial com o objectivo de divertir (para lucrar), e há (e haverá sempre) imbecis que fazem cinema e teatro para educar (sem lucrar). Na realidade, o cinema e o teatro de autor não foram feitos nem para divertir nem para educar.

O BEM E O MAL NA ARTE

A arte é uma concepção: é um sistema estilístico dentro de um sistema linguístico. É uma mensagem dentro de um código. Isto implica muitos compromissos. Claro que a forma mais pura de arte é o silêncio total dos poetas que não escrevem.

SOFRIMENTO E ARTE

Tanto quanto sei, não diria que sofrer seja necessário (porque tal maneira enunciaria uma regra e, portanto, faria uma retórica tranquilizadora), mas que é inevitável.

O GÉNIO

Nascemos génios, ou criamo-nos? Antes de mais, nascemos homens. Depois, nos primeiros anos da infância, apanham-se valentes sustos ou experimentam-se valentes ternuras que toda a vida é determinada por isto. Um génio (odeio esta palavra) é determinado pelos sustos ou pelas ternuras (ambas extremas) que uma criança sofreu. «Criar» génio consiste num manobrar (incansável, oculto, inconsciente, possesso, irrefreável) para recrear as ternuras infantis ou para criar barreiras contra os sustos infantis.

LIBERDADE SEXUAL

Se a liberdade sexual é necessária para a criação? Sim. Não. Ou talvez sim. Não, não, claro que não. Mas... sim. Não, é melhor não. Ou sim? Ah, incontinência maravilhosa! (Ah, maravilhosa castidade.)

GOLPE DE ESTADO

Seja o golpe de Estado italiano de 1964, seja o golpe de Estado levado a cabo na Grécia, foram acontecimentos que sucederam no âmbito da Nato. Em Itália levantou-se um processo contra os jornalistas do “Espresso”, que denunciaram à opinião pública alguns dos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado. O inquérito parlamentar foi, porém, travado pelo partido católico (democrata-cristão) com o apoio dos socialistas. Evidentemente, não há vontade de determinar as responsabilidades internacionais.

Nós, intelectuais (nesta vicissitude muito grave), brilhamos pela nossa ausência. É verdade, ao jantar, nos salões, dizemos poucas e boas contra a classe política dirigente, contra a burguesia italiana que a exprime, e, em geral, contra este pequeno, marginal, provinciano, qualunquistico, miserável País que é a Itália. Mas e nós? O que fazemos? Somos, por acaso, melhores? O que é que nos faz ser ausentes e mudos? O medo? A prudência? A desconfiança? A preguiça? A ignorância? Sim, isto tudo.

Pier Paolo Pasolini, Quasi un testamento, com Peter Dragadze

"Advertência", de Antonio Delfini

Tradução: João Coles


Não venham comigo
porque sou sozinho
E andar com solitários
é como andar à noite
pelas ruas sem luz
Eles não vos dão nada
que vos sirva na vida
São pessoas pobres
que não têm o que dizer
a não ser deus meu meu deus
Ou sem dinheiro ou sem ideias
que vos sirvam
São todos pobres
todos abandonados
com um sorriso triste
sobres os lábios brancos
Sabem gesticular
sabem balbuciar
mas só de maneira estranha
Vocês não nos compreenderiam

Não se entediem por amor da santa
deixem-me inocente
do vosso tédio

Antonio Delfini, Poesie della fine del mondo, Einaudi


Avvertimento

Non venite con me
ché sono solo
E andar coi solitari
è come andar di notte
per le strade senza luce
Essi non vi danno nulla
che vi serva nella vita
Sono gente povera
che non ha da dire
se non dio mio mio dio
O senza soldi o senza idee
che facciano per voi
Sono tutti poveri
tutti abbandonati
con un sorriso triste
sulle labbra bianche
Sanno far dei segni
sanno balbettare
ma solo in modo strano
Voi non ci capireste


Non vi annoiate per carità
lasciatemi innocente
della vostra noia

Antonio Delfini, Poesie della fine del mondo, Einaudi

Cartas: Alberto Moravia a Elsa Morante, 7 de Agosto de 1950

 
 
Alberto Moravia e Elsa Morante numa viagem à Pérsia

Alberto Moravia e Elsa Morante numa viagem à Pérsia

 

Tradução: João Coles

Solda, 7 de Agosto de 1950

Cara Elsa,

A tua carta finalmente chegou hoje, segunda-feira, dia 7, e provocou-me tristeza porque vejo que estás infeliz e que nada te faz bem, nem estar comigo, nem estar sem mim. Gostaria muito de te dizer alguma coisa que te consolasse, mas apercebo-me de que é impossível, também porque normalmente as razões para a tua infelicidade são obscuras e obscuramente expressas. De qualquer modo, se bem entendi, a viagem a Roma não fez senão agravar a tua situação. Qual foi, entretanto, a misteriosa ocorrência que perturbou a tua relação com o LV [Luchino Visconti] não percebo, mas imagino que, como sempre, não seja algo irreparável.

Ai de mim, é difícil dizer coisas que não pareçam superficiais neste casos, por isso espero que te baste saber que gosto mesmo muito de ti e que desejo que sejas feliz.

Quando receberes esta carta já terás o meu telegrama para Sorrento. Penso que Sorrento é um lugar bonito e calmo onde se está bem. Poderíamos ficar, digamos, até dia 22-23, isto é, uns dez dias. Eu disse que chego dia 14 por precaução, porque a viagem é longa e gostaria de deter-me cá em cima até dia 10, e depois um dia em Roma. Daqui a Roma são dois dias de viagem aproximadamente, depois com o dia em Roma faz três dias, e depois o dia seguinte até Sorrento faz quatro, isto é, dia 14.

Espero que corra tudo bem. Depois iremos a Veneza, e depois Deus decidirá. Eu recuperei do braço, o médico daqui meteu-me um curativo vesicante que quase me curou.

Até breve, até já, um abraço,

Alberto

"Entrevista sincera com Pier Paolo Pasolini sobre o mundo, a arte, o marxismo", por Laura Bergagna (1968)

Retrato de Pasolini por Graziano Origa, 1972

Retrato de Pasolini por Graziano Origa, 1972

Tradução: João Coles


Porque é que protesta constantemente, senhor Pasolini?

Porque protestar é a função dos literatos.


Então protestaria mesmo que não houvesse nada por que protestar?

A génese de um escritor está codificada por leis biológicas. Desde crianças que os escritores se assemelham entre si, como os loucos. Têm em comum a sensação de estarem excluídos do mundo.


Sente-se excluído do mundo?

Não, eu estou lindamente no mundo, acho-o maravilhoso, sinto-me preparado para a vida, como um gato.


Então porque é que protesta?

É da sociedade burguesa que não gosto. É a degeneração da vida do mundo. Hitler foi o produto típico da pequena-burguesia.


E Estaline?

Estaline também é um produto pequeno-burguês.


E Atila?

Atila era uma força descontrolada da natureza. A sua atrocidade não se disfarçava de justiça, de ordem.


O que pensa de Che Guevara?

Parece-se demasiado a Hemingway para o meu gosto.


De que é que não gosta em Hemingway?

Do burguês que troca o seu desassossego, por muito nobre que seja, por uma palingenesia, o seu moralismo pequeno-burguês por moralidade revolucionária. Isto é também o que me ofende com Che Guevara, a sua atitude arbitrária e respeito pré-estabelecido pela revolução.


Conheceu-o?

Não, li o que dele escrevem os jornais. Mas sinto que seja assim.


Como gostaria que fosse o mundo para que lhe agradasse?

O mundo agrada-me tal como é. Teria dito em tempos que gostaria de uma sociedade socialista. Mas agora estou desiludido.


Há um homem, uma sociedade no mundo que o satisfaça?

Indicaria Fidel Castro e Cuba.


Conhece bem Fidel Castro e Cuba?

Não.


Porque não vai conhecê-los?

Não tenho tempo, tenho de trabalhar.


As suas opiniões políticas, dada a sua celebridade, têm grande ressonância. Não se sente responsável pelo efeito que podem ter?

Ignoro ser uma pessoa com poder de representação e gostaria de reservar-me o direito de errar. Se eu fosse a Cuba e me apercebesse de me ter enganado, di-lo-ia.


Acredita numa moral?

Eu acredito numa moral contra o moralismo burguês. Qual é a diferença? Explico-lha: o moralista diz não aos outros, o homem moral di-lo somente a si mesmo.


Diz não a si mesmo?

Isso é conversa fiada.


Prefere então falar das férias? Onde vai de férias?

Não vou de férias. Nunca vou.


É um não que diz a si mesmo?

Não tenho tempo para férias. Tenho muito trabalho para fazer. O trabalho é uma obsessão, não consigo desprender-me dele.


Talvez seja uma evasão.

Digamos antes uma droga?


Porque é que se droga?

Já lhe expliquei. A minha relação com a sociedade histórica em que me encontro é uma relação infeliz.


Mas disse-me que se sente bem no mundo.

Tenho uma relação maravilhosa com o mundo: a natureza, o amor, pessoas concretas. Também com os pequeno-burgueses. Os meus melhores amigos, as relações mais sólidas, são da burguesia.


Não lhe parece contraditório?

A burguesia, mesmo nos momentos mais horrendos, deu-nos coisas estupendas. Tenho de reconhecer que mesmo hoje em dia a humanidade faz belíssimos quadros, romances, filmes, grandes progressos no saber. Eu nego a ideologia do consumismo. Aquilo que a sociedade contemporânea ainda nos dá de bom e de bonito provém das suas raízes humanísticas, de um mundo antigo, pobre e religioso. Mas a sociedade consumista é irreligiosa e, por conseguinte, árida.


Mas não é ateu?

Sim, sou ateu. Mas as minhas relações com as coisas estão repletas de mistério e de sagrado. Para mim, nada é natural, nem sequer a natureza.


As suas respostas parecem-me abstractas.

Tal como as suas perguntas.


Falemos de si. É tímido?

Sim, sou tímido. Aliás, a bem dizer sou ingénuo, mas ninguém acredita em mim. É penoso viver em mal-entendidos. Acreditaram durante anos que eu assaltei um funcionário de uma bomba de gasolina apontando-lhe uma pistola. É uma angústia viver assim. Acusam-me agora de ter escrito um poema contra os estudantes. Escrevi-o num momento de impulso para uma revista lida por pouca gente. Autorizei mais tarde que um semanário publicasse alguns trechos no âmbito de um debate com jovens. Porém, publicaram-no por inteiro. Quando o vi no semanário já me arrependera de o ter escrito. Eu estou do lado dos jovens, apesar de não aprovar a posição deles à esquerda do comunismo. É uma atitude veleidosa. Nos países onde existem partidos marxistas fortes não se pode prescindir deles sem correr riscos de extremismo que acabam por ser auto-lesivos, como infelizmente aconteceu em França.


Porque é que apresentou o seu Teorema ao Premio Strega para depois o retirar? Diz-se que o retirou porque obteve poucos votos. O que responde?

Não existe um escritor que não apresente a sua obra a um prémio, para dá-la a conhecer, para vencer, para ter uma fonte de lucro. Quanto às coisas graves soube delas depois. O que acontece no Premio Strega já não é uma pequena luta eleitoral, como era dantes, é um jogo em grande plano que se torna perigoso.


O senhor escreveu um guião para um filme e depois fez dele uma obra narrativa para o Premio Strega. Corre o rumor que também o reduziu para uma peça de teatro para concorrer a outro prémio, o Pirandello. Não lhe parece que seja uma exploração intensiva de uma ideia?

Sou um literato e o meu guião já é uma obra narrativa. Não é verdade que vá concorrer ao Premio Pirandello.


Acha bem abolir doravante todos os prémios?

Não, os prémios são necessários para dar a conhecer as obras ao público. Eu e o Moravia fundámos um numa pequena cidade que se chama Zafferano. O que é urgente é garantir que os prémios escapem da indústria cultural.


Moravia, Pasolini, sempre os mesmos. Isto também não é uma forma de monopólio cultural? Como é que em vinte anos ninguém tomou o vosso lugar? Já não nascem escritores dignos de vos substituir?

Se o Ludovico Ariosto fosse vivo, excluí-lo-ia dos júris? É natural que haja uma certa forma de poder devido ao prestígio de um escritor. De resto, o Moravia está a demonstrar que não está ultrapassado, que ainda tem muito para dizer. Se não o conseguem substituir no cume, é porque a sociedade italiana está morta. Uma sociedade pequena e analfabeta produz literatura medíocre. De resto, os jovens não se interessam pela literatura, como demonstra o movimento estudantil. Eu comecei a escrever aos sete anos de idade. Os jovens de hoje sentem-se atraídos por vocações políticas, técnicas… Não quero dizer com isto que estas sejam menos válidas.


Há alguma pergunta que gostaria que lhe tivesse feito?

Gostaria que falasse das coisas sérias que faço. Publiquei um manifesto sobre o teatro na “Nuovi Argomenti”, que me parece inovador e importante, mas caiu em saco roto.


Talvez se espere de si uma nova peça de teatro, em vez de um manifesto novo.

Tenho seis dramas prontos, seis tragédias em verso. Aparentemente o Stabile di Torino vai dar-me a possibilidade de representar uma delas. Mas agora tenho coisas a fazer, estou a preparar o Teorema. Adeus, Sr.ª Bergagna, deixe-me ler a entrevista antes de a publicar.


Adeus, Sr. Pasolini, deixe-me ver o seu filme antes da estreia.

Texto de Laura Bergagna. "Intervista sincera con Pasolini sul mondo, l'arte, il marxismo" 12.07.1968 © La Stampa


"Intervista sincera con Pasolini sul mondo, l'arte, il marxismo"

Perché protesta sempre, signor Pasolini?

Protestare è una funzione dei letterati.



Allora protesterebbe anche se non ci fosse nulla da protestare?

La genesi di uno scrittore è codificata da leggi biologiche. Da bambini gli scrittori si assomigliano tra di loro, come i pazzi. Hanno in comune il senso della esclusione dal mondo.



Lei si sente escluso dal mondo?

No, io sto benissimo nel mondo, lo trovo meraviglioso, mi sento attrezzato alla vita, come un gatto.



Allora, perché protesta?

È la società borghese che non mi piace. È la degenerazione della vita del mondo. Hitler è stato il tipico prodotto della piccola borghesia.



E Stalin?

Anche Stalin è un prodotto piccolo borghese.



E Attila?

Attila era una forza scatenata della natura. La sua atrocità non si ammantava di giustizia, di ordine.



Che cosa pensa del Che Guevara?

Assomiglia troppo a Hemingway per i miei gusti.



Che cosa non le piace di Hemingway?

Il borghese che scambia la sua inquietudine, per quanto nobile, per una palingenesi, il suo moralismo piccolo borghese per moralità rivoluzionaria. Questa è anche ciò che mi offende in Che Guevara, il suo atteggiamento arbitrario e precostituito rispetto alla rivoluzione.



L'ha conosciuto?

No, ho letto quello che scrivono di lui i giornali. Ma sento che è così.



Come vorrebbe che fosse il mondo per piacerle?

Il mondo mi piace così com'è, una volta avrei detto che mi piacerebbe una società socialista. Ma ora sono deluso.



C'è un uomo, una società al mondo che la soddisfi?

Indicherei Fidel Castro e Cuba.



Conosce bene Fidel Castro e Cuba?

No.



Perché non va a conoscerli?

Non ho tempo, devo lavorare.



Le sue opinioni politiche, data la sua celebrità, hanno una vasta risonanza. Non si sente responsabile dell'effetto che possono avere?

Ignoro di essere una persona di rappresentanza e mi voglio riservare il diritto di sbagliare. Se andassi in Cuba e mi accorgessi di avere sbagliato, lo direi.



Crede in una morale?

Io sono per la morale contro il moralismo borghese. Qual è la differenza? Glie la spiego: il moralista dice no agli altri, l'uomo morale lo dice solo a se stesso.



Lei dice no a se stesso? Quando?

Sono domande da salotto.



Preferisce allora parlare delle vacanze? Allora dove andrà in vacanza?

Non vado in vacanza. Non ci vado mai.



È un no che dice a se stesso?

Non ho tempo per le vacanze. Ho molto da lavorare. Il lavoro è una ossessione, non riesco a strapparmici.



Forse è un’evasione?

Diciamo piuttosto una droga?



Perché si droga?

Glie l'ho detto. Il mio rapporto con la società storica in cui mi trovo è un rapporto infelice.



Ma lei ha detto che al mondo si trova bene.

Ho un rapporto meraviglioso col mondo: la natura, l'amore, le persone concrete. Anche con i piccoli borghesi. I miei migliori amici e i più solidi sono nella borghesia.



Non è in contraddizione?

La borghesia, anche nei momenti più orrendi, ha dato cose stupende. Devo riconoscere che anche ai giorni nostro l'umanità fa bellissimi quadri, romanzi, film, grandi progressi nel sapere. È l'ideologia del consumismo che io nego. Quello che la società contemporanea dà ancora di buono e di bello, viene dalle sue radici umanistiche da un mondo antico, povero e religioso. Ma la società consumistica è irreligiosa, e quindi arida.



Lei non è ateo?

Sì, io sono ateo. Ma i miei rapporti con le cose sono pieni di mistero e di sacro. Per me niente è naturale, nemmeno la natura.



Le sue risposte mi sembrano piuttosto astratte.

Come le sue domande.



Parliamo di lei. È un timido?

Sì. Io sono un timido. Anzi, per meglio dire, un ingenuo. Ma nessuno mi crede. È doloroso vivere nel fraintendimento. Per anni hanno creduto che io abbia rapinato un benzinaio puntandogli la pistola. È angoscioso vivere così. Adesso mi accusano di avere scritto una poesia contro gli studenti. La scrissi in un momento d'impulso per una rivista che pochi leggono. Acconsentii poi a che un settimanale ne pubblicasse qualche brano in occasione di un dibattito con dei giovani. Invece l'hanno pubblicata per intero. Quando l'ho vista sul settimanale, ero già pentito di averla scritta. Io sono dalla parte dei giovani, anche se non approvo il loro mettersi a sinistra del comunismo. È un atteggiamento velleitario. Nei paesi dove esistono forti partiti marxisti, non si può prescindere da essi senza rischio di estremismo che finiscono con l'essere autolesivi, come purtroppo è accaduto in Francia.



Perché ha presentato il suo Teorema al Premio Strega, se poi l'ha ritirato? Si dice che l'abbia ritirato perché aveva ottenuto pochi voti. Cosa risponde?

Non esiste scrittore che non presenti la sua opera a qualche premio, per farla conoscere, per vincere, per guadagno. Le cose gravi le ho sapute dopo. Qual che avviene al Premio Strega non è più una piccola lotta elettorale, come una volta. È un gioco in grande, che diventa pericoloso.



Lei ha scritto una sceneggiatura per un film, poi ne ha fatto un'opera di narrativa per il Premio Strega. Corre voce che l'abbia anche ridotta in opera teatrale per concorrere a un altro premio, il Pirandello. Non le sembra uno sfruttamento intensivo di una idea?

Io sono un letterato e la mia sceneggiatura è già opera di narrativa. Non è vero che concorra al Premio Pirandello.



Crede sia bene abolire d'ora in poi tutti premi?

No, i premi sono necessari per far conoscere le opere al pubblico. Con Moravia ne abbiamo fondato uno in un piccolo paese che si chiama Zafferano. Ciò che è urgente, è far sì che i premi sfuggano all'industria culturale.



Moravia, Pasolini, sempre gli stessi. Non è anche questa una forma di monopolio culturale? Come mai in vent'anni nessuno ha preso il vostro posto? Non nascono più scrittori degni di sostituirvi?

Se fosse vivo Ludovico Ariosto, si sentirebbe di escluderlo dalle giurie? Una certa forma di potere dovuta al prestigio di uno scrittore, è naturale. Del resto, Moravia sta dimostrando di non essere un sorpassato, di avere ancora molte cose da dire. Se altri non lo sostituiscono al vertice, è perché la società italiana è morta. Una piccola società analfabeta produce una letteratura mediocre. Del resto, i giovani non sono interessati alla letteratura come dimostra il movimento studentesco. Io ho cominciato a scrivere all'età di sette anni. I ragazzi di oggi sono attratti da altre vocazioni, politiche, tecniche... Con questo non voglio dire che siano meno valide.



C'è una domanda che le piacerebbe io le avessi posto?

Mi piacerebbe che ci si occupasse delle cose serie che io faccio. Ho pubblicato un manifesto sul teatro in Nuovi Argomenti, che mi sembra cosa nuova e importante, ma è caduto nel vuoto.



Forse ci si attende la lei, invece di un nuovo manifesto, un nuovo teatro.

Ho sei drammi pronti, sei tragedie in versi, Sembra che lo Stabile di Torino stia per darmi la possibilità di rappresentarne una. Ma adesso ho da fare, sto montando teorema. Addio, signora Bergagna. Mi faccia legger l'intervista prima di pubblicarla.



Addio, signor Pasolini. Mi faccia vedere il suo film prima che sia rappresentato.



Un testo di Laura Bergagna. "Intervista sincera con Pasolini sul mondo, l'arte, il marxismo" 12.07.1968 © La Stampa